
O QUE É NECESSÁRIO
FOLHA DE TRABALHO
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1. Em que se diferenciam as amostras? Qual foi a causa dessas alterações?
"Aos velhos e jovens professores, aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz. Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com a colheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes." (Gabriel Chalita)



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Como organizar atividades voluntárias na sua escola
São inúmeras as possibilidades de participação dos amigos da escola. Mas a escola precisa saber quais são os projetos condizentes com suas funções e necessidades.
A atividade de voluntariado, qualquer que seja, precisa estar de acordo com o projeto político-pedagógico, contar com a aprovação da comunidade escolar, além de ser coordenada para que não prejudique as atividades escolares regulares.
No Brasil, temos a Lei do Voluntariado. Trata-se da Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998 (veja o Anexo I deste manual). A organização do trabalho voluntário na escola também deve ser pautada pela atenção aos preceitos legais que regem a atividade.
A COORDENAÇÃO DAS ATIVIDADES VOLUNTÁRIAS
As atividades de voluntariado desenvolvidas na escola requerem coordenação.
É desejável que a escola possa contar com uma pessoa ou grupo (Associação de Pais e Mestres, Conselho Escolar, Núcleo de Voluntariado, etc.) para receber, orientar e coordenar os voluntários. É muito importante que cada voluntário se sinta acolhido, orientado e útil.
Uma idéia interessante implementada por várias escolas é reservar um dia da semana e local na escola para receber os novos voluntários.
COMO IMPLEMENTAR AS ATIVIDADES VOLUNTÁRIAS NA ESCOLA
Sugerimos os seguintes passos para o desenvolvimento das atividades voluntárias:
1. PLANEJAMENTO
Antes de iniciar as ações e projetos de voluntariado, sejam eles com a participação de voluntários externos ou com a comunidade escolar, o ideal é que a escola construa um planejamento que esteja de acordo com seu projeto político-pedagógico.
Nesse planejamento cabe à escola avaliar suas necessidades, pedagógicas e de infra-estrutura, e definir como será a participação dos voluntários.
A partir daí ela poderá estabelecer de forma clara as diretrizes, estratégias e objetivos.
O planejamento pode ser feito mesmo com as atividades voluntárias já implantadas, pois é instrumento para potencializá-las.
Também vale lembrar que ele deve ser revisto periodicamente, uma vez que a realidade é dinâmica.
2. ACOLHIDA DOS VOLUNTÁRIOS
É fundamental que esse primeiro contato seja amigável e aberto, pois só assim voluntários e escola poderão analisar a parceria que será estabelecida.
Para construir, juntos, uma proposta de trabalho, também é fundamental estabelecer um diálogo entre voluntário e escola, de tal forma que a escola apresente sua filosofia, necessidades e prioridades e que o voluntário, por sua vez, expresse suas intenções e revele suas potencialidades.
3. AÇÃO E TERMO DE ADESÃO
É importante orientar o voluntário sobre o funcionamento da escola, sua missão, seus valores, sua cultura, bem como sobre a execução da função definida - em muitos casos há necessidade de formação específica a ser dada por profissional da área de educação (centros de voluntariado e ONGs também oferecem capacitação para a atividade voluntária de maneira geral).
Nesta fase também é preciso definir como se dará a supervisão do trabalho do voluntário. Essa supervisão tem por objetivo estabelecer limites e responsabilidades, discutir as bases teóricas e técnicas do trabalho e acompanhar o desempenho do voluntário, sendo uma forma de valorizar e reconhecer sua contribuição. Não se trata de algo negativo ou punitivo. Faz parte de uma boa gestão e serve como método de avaliação, visando a definição de possíveis ajustes nas atividades e o fortalecimento de toda a equipe.
É nesse momento que a escola apresenta ao voluntário o Termo de Adesão , (ver modelo) que tem o propósito de orientar a diretoria da escola e evitar eventuais problemas futuros como, por exemplo, proteger a escola de reclamações de vínculo empregatício.
Também sugerimos que os pais assinem uma autorização toda vez que os alunos tiverem que realizar ações voluntárias fora da escola.
4. ACOMPANHAMENTO E RECONHECIMENTO
Para o aperfeiçoamento contínuo das atividades, é fundamental estabelecer um processo de acompanhamento do andamento das atividades e dos resultados alcançados.
Outro aspecto determinante para o sucesso das iniciativas é a motivação dos voluntários.
Confiar responsabilidade ao voluntário e reconhecer publicamente sua contribuição, em eventos ou por meio de homenagens e agradecimentos por escrito, são formas efetivas de renovar o ânimo dos participantes e manter o voluntário na escola.
COMO TRABALHAR JUNTOS: VOLUNTÁRIOS E ESCOLAS
A sintonia entre a comunidade escolar e os voluntários é fator primordial para o sucesso do projeto. A fim de promover tal sintonia, sugerem-se as seguintes estratégias de integração:
- realizar encontros com os funcionários para discutir os projetos e o programa de voluntariado da escola;
- criar oportunidades para os funcionários e voluntários estarem juntos em reuniões, eventos sociais, etc.;
- reconhecer o apoio dos alunos, funcionários, professores e coordenação da escola aos voluntários;
- compartilhar metas, objetivos e resultados com voluntários e comunidade escolar.
A BUSCA DE PARCEIROS LOCAIS
Os parceiros locais dão o apoio necessário para a sustentabilidade dos projetos nas escolas.
Constituem relações de colaboração entre instituições públicas ou privadas e a escola.
A relação da parceria requer diálogo, sendo necessário equacionar expectativas, a fim de possibilitar que ela se torne compensadora para ambas as partes.
Existem parceiros que podem contribuir com sua experiência em determinada área de atuação, bem como aqueles que podem doar serviços, recursos materiais ou financeiros para a realização de eventos e atividades.
Para facilitar o estabelecimento de parcerias, sugerimos à escola:
- buscar inicialmente o apoio de empresas, ONGs e instituições localizadas nas proximidades da escola;
- promover eventos na escola e convidar os possíveis parceiros, para que conheçam os projetos nos quais podem atuar.
SUGESTÕES PARA ENTRAR EM AÇÃO
Existem inúmeras possibilidades de ação e projetos que unem escola, educação e voluntariado, os quais, por seus aspectos sociais e pedagógicos, podem ser trabalhados por professores e alunos com grande benefício para a formação do jovem e para a aprendizagem.
A seguir, são apresentadas algumas sugestões de atividades que já foram implementadas por escolas de todo o país:
Estímulo à leitura
Reforço escolar
Saúde e Qualidade de Vida
Artes e esportes
Inclusão Digital
Instalações e equipamentos
Gestão escolar
EXEMPLOS DE ATUAÇÃO DE ESTUDANTES
Alguns exemplos de projetos que podem ser realizados por estudantes, voltados para Jovens e Adultos, pessoas da terceira idade e membros da comunidade:
EDUCAÇÃO E CULTURA
Jovens e adultos
Dar cursos de capacitação, por exemplo, na área de informática.
Terceira idade
Criar grupos de teatro, coral ou organizar bailes.
Comunidade
Organizar oficinas de artesanato, culinária, corte e costura, jardinagem, fotografia, etc.
EDUCAÇÃO E CIDADANIA
Jovens e adultos
Criar um grupo ou núcleo de voluntariado para a coordenação das atividades.
Terceira idade
Convidar idosos para integrar um grupo ou núcleo de coordenação das atividades voluntárias.
Comunidade
Organizar um grupo ou núcleo de voluntários da escola e da comunidade, possibilitando a descoberta de talentos que resultem em ações solidárias.
SAÚDE E ASSISTÊNCIA SOCIAL
Jovens e adultos
Fazer campanhas de prevenção ao uso de drogas, a doenças sexualmente transmissíveis, etc.
Terceira idade
Fazer campanhas de arrecadação de agasalhos e cobertores para casas de idosos.
Comunidade
Identificar, no bairro, os locais de difícil acesso a deficientes físicos e promover uma campanha de conscientização.
MEIO AMBIENTE
Jovens e adultos
Fazer o replantio de árvores e flores.
Terceira idade
Programar passeios em áreas verdes.
Comunidade
Fazer mutirões de limpeza de áreas, praças e muros.
SEGURANÇA
Jovens e adultos
Fazer campanhas contra a violência e a favor do desarmamento.
Terceira idade
Fazer campanhas de prevenção de acidentes domésticos.
Comunidade
Identificar os cruzamentos onde acontecem acidentes e recorrer às autoridades para a sinalização do local.
MEIO AMBIENTE
Jovens e adultos
Fazer o replantio de árvores e flores.
Terceira idade
Programar passeios em áreas verdes.
Comunidade
Fazer mutirões de limpeza de áreas, praças e muros.
SEGURANÇA
Jovens e adultos
Fazer campanhas contra a violência e a favor do desarmamento.
Terceira idade
Fazer campanhas de prevenção de acidentes domésticos.
Comunidade
Identificar os cruzamentos onde acontecem acidentes e recorrer às autoridades para a sinalização do local.
<http://amigosdaescola.globo.com/TVGlobo/Amigosdaescola/0,,AA1277331-6976,00.html>

"Gaiolas e Asas" - Rubem AlvesEscolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e a domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.
Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha com os tigres.
Nos tempos de minha infância, eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca e pisava no poleiro. E era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras e enfiava o bico entre os vãos. Na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguentado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.
Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas? Vão me falar sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos, tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação?
O que os burocratas pressupõe sem pensar é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.
Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é "dígrafo"? E os usos da partícula "se"? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? Qual a utilidade da palavra "mesóclise"? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: "Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira".
O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era "ferramenta" e "brinquedo" do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender "ferramentas", aprender "brinquedos".
"Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. "Brinquedos" são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.
Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo.
Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade, não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescer... Assim todo professor, ao ensinar, teria de se perguntar: "Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?" Se não for, é melhor deixar de lado.
As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos.
Há esperança...